{"id":3449,"date":"2019-07-04T06:16:16","date_gmt":"2019-07-04T09:16:16","guid":{"rendered":"http:\/\/dynamix.themeva.com\/?p=3449"},"modified":"2020-03-20T11:01:52","modified_gmt":"2020-03-20T14:01:52","slug":"atividade-fisica-adolescencia-reduz-risco-adenoma-colorretal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/atividade-fisica-adolescencia-reduz-risco-adenoma-colorretal\/","title":{"rendered":"Atividade F\u00edsica praticada desde a adolesc\u00eancia reduz em 39% o risco de adenoma colorretal"},"content":{"rendered":"<p><b>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Os efeitos de mais de 60 minutos di\u00e1rios de uma caminhada ou qualquer outra atividade f\u00edsica moderada s\u00e3o acumulados ao longo da vida e podem reduzir em 39% o risco de adenoma avan\u00e7ado. Essas les\u00f5es ou p\u00f3lipos internos s\u00e3o precursores de c\u00e2ncer colorretal, o terceiro tipo de c\u00e2ncer com maior incid\u00eancia no Brasil.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo epidemiol\u00f3gico publicado no <i><b><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41416-019-0454-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">British Journal of Cancer<\/a><\/b><\/i> e realizado por pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP) e da Harvard University, nos Estados Unidos. O estudo teve <b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/168699\/carga-do-cancer-atribuivel-ao-estilo-de-vida-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apoio da FAPESP<\/a><\/b> por meio de uma Bolsa Est\u00e1gio de Pesquisa no Exterior (BEPE).<\/p>\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o entre atividade f\u00edsica, adenoma e c\u00e2ncer colorretal j\u00e1 era conhecida. Por\u00e9m, essa \u00e9 a primeira vez em que se demonstra o efeito cumulativo e os impactos da atividade f\u00edsica realizada j\u00e1 na adolesc\u00eancia para a redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de adenoma colorretal\u201d, disse <b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/678527\/leandro-fornias-machado-de-rezende\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Rezende<\/a><\/b>, pesquisador da FM-USP e um dos autores do estudo.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, o estudo utilizou dados obtidos com 28.250 mulheres norte-americanas que participaram do Nurses\u2019 Health Study II, pesquisa realizada com enfermeiras na Harvard University. A pesquisa, em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, teve grande import\u00e2ncia no conhecimento sobre a etiologia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas ao coletar por longos per\u00edodos informa\u00e7\u00f5es sobre h\u00e1bitos de vida, como atividade f\u00edsica, alimenta\u00e7\u00e3o e obesidade.<\/p>\n<p>O estudo publicado agora no <i>British Journal of Cancer<\/i> analisou a rela\u00e7\u00e3o entre atividade f\u00edsica e o desenvolvimento de adenoma colorretal, independentemente de outros fatores de risco conhecidos para c\u00e2ncer colorretal, como alimenta\u00e7\u00e3o, tabagismo e consumo de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>De acordo com os resultados, na compara\u00e7\u00e3o com pessoas com baixo n\u00edvel de atividade f\u00edsica (menos de 60 minutos di\u00e1rios), aquelas que praticaram atividade f\u00edsica s\u00f3 na adolesc\u00eancia (dos 12 aos 22 anos) tiveram redu\u00e7\u00e3o de 7% no risco de desenvolver adenomas. Para quem praticou s\u00f3 na vida adulta (23 aos 64 anos), a redu\u00e7\u00e3o foi de 9%. J\u00e1 em pessoas ativas tanto na adolesc\u00eancia como na fase adulta, o risco foi 24% menor.<\/p>\n<p>Segundo Rezende, a pequena diferen\u00e7a entre o impacto causado s\u00f3 na adolesc\u00eancia e s\u00f3 na vida adulta se d\u00e1 pela quantidade de anos vividos em cada per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cForam redu\u00e7\u00f5es semelhantes. O que essa tend\u00eancia sugere \u00e9 um efeito cumulativo da atividade f\u00edsica na redu\u00e7\u00e3o de adenomas ao longo da vida. Independentemente de ser na fase adulta ou na adolesc\u00eancia, mostramos que quanto maior a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica, menor o risco de ter adenoma na fase adulta&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O resultado mais surpreendente para os pesquisadores, no entanto, foi a atividade f\u00edsica na adolesc\u00eancia e na vida adulta ocasionar uma redu\u00e7\u00e3o ainda maior no risco de adenomas avan\u00e7ados (39%), os mais perigosos para o desenvolvimento de c\u00e2ncer colorretal.<\/p>\n<p>&#8220;A maior redu\u00e7\u00e3o de risco ocorreu justamente para os adenomas avan\u00e7ados, aqueles com mais de 1 cent\u00edmetro e que pertencem a um subtipo de adenoma que \u00e9 mais agressivo (chamado adenoma viloso) e, portanto, com maior propens\u00e3o de evoluir para c\u00e2ncer colorretal\u201d, disse Rezende.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o impacto da atividade f\u00edsica na redu\u00e7\u00e3o do risco de adenomas estaria relacionado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos inflamat\u00f3rios e da resist\u00eancia \u00e0 insulina.<\/p>\n<p><b>Riqueza de dados<\/b><\/p>\n<p>Para <b><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/7101\/jose-eluf-neto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos\u00e9 Eluf Neto<\/a><\/b>, professor titular da FM-USP e orientador do doutorado de Leandro Rezende, os resultados do artigo corroboram a import\u00e2ncia do desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem a atividade f\u00edsica como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e2ncer colorretal \u00e9 um dos tipos mais comuns e a atividade f\u00edsica sozinha mostrou ser importante para a redu\u00e7\u00e3o de riscos da doen\u00e7a. Mas \u00e9 preciso destacar que o adenoma ainda n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a. Ou seja, mostramos que a atividade f\u00edsica tem impacto para que a doen\u00e7a nem chegue a ocorrer, pois atua reduzindo o desenvolvimento de um precursor\u201d, disse Eluf Neto \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que, particularmente para o c\u00e2ncer colorretal, o sedentarismo tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cApesar de a maioria dos casos da doen\u00e7a ocorrer depois dos 60 anos, tem crescido o n\u00famero de casos em pacientes com menos de 50 anos. N\u00e3o se sabe se \u00e9 s\u00f3 por causa do aumento no diagn\u00f3stico, se as pessoas est\u00e3o fazendo mais exames ou se s\u00e3o as exposi\u00e7\u00f5es a fatores de risco, como o sedentarismo, no in\u00edcio da vida que poderiam aumentar a incid\u00eancia mais cedo de c\u00e2ncer ou adenoma colorretal\u201d, disse.<\/p>\n<p>As enfermeiras participantes do Nurses\u2019 Health Study II come\u00e7aram a ser acompanhadas no fim da d\u00e9cada de 1980, quando tinham entre 25 e 40 anos. Em 1997, elas responderam um question\u00e1rio sobre fatores de risco e de prote\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as cr\u00f4nicas, o que inclu\u00eda perguntas sobre h\u00e1bitos de atividade f\u00edsica, alimenta\u00e7\u00e3o e obesidade, quando elas eram adolescentes (entre 12 e 22 anos).<\/p>\n<p>\u201cNesses question\u00e1rios, elas respondiam quanto tempo na semana aproximadamente praticavam atividades de transporte, como ir da casa para a escola, e tamb\u00e9m os de intensidade moderada (caminhada) e de intensidade vigorosa (aulas de gin\u00e1stica, nata\u00e7\u00e3o ou outro esporte). Isso permitiu estimar qual era o n\u00edvel de atividade f\u00edsica delas ao longo da adolesc\u00eancia\u201d, disse Rezende.<\/p>\n<p>As participantes foram acompanhadas at\u00e9 2011, quando forneceram informa\u00e7\u00f5es referentes aos h\u00e1bitos de vida durante o per\u00edodo dos 23 aos 64 anos. Nesse per\u00edodo elas responderam question\u00e1rios a cada dois anos. Para participar do estudo, as enfermeiras tamb\u00e9m tiveram que ter realizado ao menos uma vez exames de sigmoidoscopia ou colonoscopia, j\u00e1 que p\u00f3lipos e adenomas s\u00e3o assintom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O artigo <i>Physical activity during adolescence and risk of colorectal adenoma later in life: results from the Nurses\u2019 Health Study II<\/i> (doi: https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41416-019-0454-1), de Leandro F\u00f3rnias Machado de Rezende, Dong Hoon Lee, NaNa Keum, Katharina Nimptsch, Mingyang Song, I-Min Lee, Jos\u00e9 Eluf-Neto, Shuji Ogino, Charles Fuchs, Jeffrey Meyerhardt, Andrew T. Chan, Walter Willett, Edward Giovannucci e Kana Wu, est\u00e1 publicado em <i><b><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41416-019-0454-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.nature.com\/articles\/s41416-019-0454-1<\/a><\/b><\/i>.<br \/>\nEste texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/atividade-fisica-praticada-desde-a-adolescencia-reduz-em-39-o-risco-de-adenoma-colorretal\/30870\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler\u00a0 |\u00a0 Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Os efeitos de mais de 60 minutos di\u00e1rios de uma caminhada ou qualquer outra atividade f\u00edsica moderada s\u00e3o acumulados ao longo da vida e podem reduzir em 39% o risco de adenoma avan\u00e7ado. 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