{"id":7555,"date":"2019-11-06T12:55:26","date_gmt":"2019-11-06T14:55:26","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=7555"},"modified":"2020-03-20T09:43:19","modified_gmt":"2020-03-20T12:43:19","slug":"habitos-saudaveis-poderiam-evitar-27-dos-casos-de-cancer-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/habitos-saudaveis-poderiam-evitar-27-dos-casos-de-cancer-no-brasil\/","title":{"rendered":"H\u00e1bitos saud\u00e1veis poderiam evitar 27% dos casos de c\u00e2ncer no Brasil"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Tabagismo, consumo de \u00e1lcool, excesso de peso, alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e falta de atividade f\u00edsica s\u00e3o os fatores de risco associados a um ter\u00e7o das mortes causadas por 20 tipos de c\u00e2ncer no Brasil, segundo um novo estudo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Publicado na revista <em><strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1877782118305253?dgcid=author#bib0010\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cancer Epidemiology<\/a><\/strong><\/em>, o trabalho indica que, do total dos casos de c\u00e2ncer anuais no Brasil, pelo menos 114 mil (27% do total) poderiam ser evitados com um estilo de vida mais saud\u00e1vel. Quanto \u00e0s mortes causadas pela doen\u00e7a, 63 mil vidas (34% do total) poderiam ser poupadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os dados s\u00e3o resultado de um estudo epidemiol\u00f3gico realizado por pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (FM-USP) e da Harvard University, nos Estados Unidos, com <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/168699\/carga-do-cancer-atribuivel-ao-estilo-de-vida-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoio da FAPESP<\/a><\/strong>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo o estudo, as incid\u00eancias de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, de laringe, de orofaringe, de es\u00f4fago, de c\u00f3lon e de reto poderiam ser reduzidas pela metade caso os cinco fatores de risco \u2013 tabagismo, consumo de \u00e1lcool, excesso de peso, alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e falta de atividade f\u00edsica \u2013 fossem eliminados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cUma quest\u00e3o que chama a aten\u00e7\u00e3o nesses resultados \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o de casos que poderia ser evitada ao reduzir os fatores de risco relacionados ao estilo de vida. De acordo com diversos trabalhos anteriores nessa \u00e1rea, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma outra medida capaz de prevenir tantos casos. O estudo deve servir de base para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para a preven\u00e7\u00e3o de c\u00e2ncer no Brasil\u201d, disse <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/678527\/leandro-fornias-machado-de-rezende\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leandro Rezende<\/a><\/strong>, pesquisador da FM-USP e um dos autores do estudo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial e est\u00e1 entre as principais causas de morte no Brasil. Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a expectativa \u00e9 que, em 2025, os casos aumentem em at\u00e9 50% no pa\u00eds, principalmente pelo crescimento e pelo envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por\u00e9m, de acordo com o novo estudo, al\u00e9m das mudan\u00e7as na estrutura populacional, o aumento na preval\u00eancia dos cinco fatores de risco relacionados ao estilo de vida do brasileiro pode representar desafios adicionais para o controle do c\u00e2ncer no pa\u00eds.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do c\u00e2ncer por meio de modifica\u00e7\u00f5es no estilo de vida \u00e9 uma das abordagens mais interessantes e realistas para o controle da doen\u00e7a no Brasil\u201d, disse Rezende.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/7101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Jos\u00e9 Eluf Neto<\/a><\/strong>, professor titular da FM-USP e orientador do estudo, garantir o acesso a parques e outros locais de lazer s\u00e3o medidas que deveriam ser consideradas em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas para a sa\u00fade.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cIncentivar a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica, a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e ter locais de lazer em todas as \u00e1reas da cidade \u2013 perto da casa das pessoas \u2013 s\u00e3o medidas de preven\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria que n\u00e3o devem ser desprezadas pelos gestores p\u00fablicos. Pelo contr\u00e1rio, al\u00e9m de ter um impacto grande na redu\u00e7\u00e3o de mortes, esse incentivo a uma vida mais saud\u00e1vel reduz consideravelmente o n\u00famero de casos da doen\u00e7a\u201d, disse Eluf Neto \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>H\u00e1 um consenso na literatura cient\u00edfica de que os cinco fatores de risco em quest\u00e3o est\u00e3o associados ao desenvolvimento de 20 tipos de c\u00e2ncer. O novo estudo calculou a fra\u00e7\u00e3o atribu\u00edvel populacional (FAP) do c\u00e2ncer \u2013 uma m\u00e9trica capaz de estimar a propor\u00e7\u00e3o de casos poss\u00edvel de prevenir se os fatores de risco fossem eliminados \u2013 e relacionou esse dado com estat\u00edsticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) sobre \u00edndice de massa corporal (IMC) elevado, consumo de cigarro, \u00e1lcool, pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica e informa\u00e7\u00f5es sobre a alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na pesquisa, o fator alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel foi subdividido em seis: baixo consumo de frutas, verduras, fibras e c\u00e1lcio e consumo elevado de carne vermelha e de carne processada.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os dados sobre a distribui\u00e7\u00e3o dos fatores de risco foram calculados a partir da <a href=\"ftp:\/\/ftp.ibge.gov.br\/PNS\/2013\/pns2013.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS) 2013<\/strong><\/a>, que permitiu estimar consumo de \u00e1lcool, IMC, consumo de frutas e hortali\u00e7as, atividade f\u00edsica, tabagismo e fumo passivo entre n\u00e3o fumantes no Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>J\u00e1 a <a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv50063.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF)<\/strong><\/a>, realizada em 2008-2009 pelo IBGE, foi usada para obter o consumo alimentar de fibras, c\u00e1lcio, carne vermelha e processada. A distribui\u00e7\u00e3o dos fatores de risco do estilo de vida foi estimada por sexo e grupos et\u00e1rios.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os pesquisadores consideraram dois cen\u00e1rios de exposi\u00e7\u00e3o: um com risco m\u00ednimo te\u00f3rico (elimina\u00e7\u00e3o total dos riscos relacionados ao estilo de vida) e outro com base em metas de pol\u00edticas p\u00fablicas e recomenda\u00e7\u00f5es para a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer (atenua\u00e7\u00e3o da preval\u00eancia dos fatores de risco).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nesse cen\u00e1rio de restri\u00e7\u00e3o dos fatores de risco, o consumo de \u00e1lcool teria uma redu\u00e7\u00e3o relativa de 10%, para menos de 50 gramas por dia. Tamb\u00e9m fazem parte desse cen\u00e1rio uma redu\u00e7\u00e3o no IMC de 1 quilo por metro ao quadrado (kg\/m<sup>2<\/sup>) na m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o, uma dieta com 200 a 399 miligramas (mg) de c\u00e1lcio por dia e a redu\u00e7\u00e3o de 30% na preval\u00eancia do consumo de tabaco.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cEstimamos tamb\u00e9m o impacto de redu\u00e7\u00f5es (e n\u00e3o s\u00f3 a elimina\u00e7\u00e3o por completo) desses h\u00e1bitos n\u00e3o saud\u00e1veis, o que \u00e9 muito interessante para a sa\u00fade p\u00fablica. Com o incentivo a h\u00e1bitos mais saud\u00e1veis, segundo recomenda\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, j\u00e1 seria poss\u00edvel evitar um n\u00famero importante de mortes e casos da doen\u00e7a\u201d, disse Rezende.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pelos c\u00e1lculos do cen\u00e1rio que apenas atenua os riscos, 4,5% dos casos (19.731 casos) e 6,1% das mortes (11.480 mortes) poderiam ser evitados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Homens e mulheres<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram os principais fatores de risco no estilo de vida, individualmente e em combina\u00e7\u00e3o, por sexo e tipo de c\u00e2ncer no Brasil.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Pela an\u00e1lise, o tabagismo, respons\u00e1vel por 67 mil casos e 40 mil mortes ao ano no Brasil, respondeu pela maioria dos desfechos negativos que poderiam ser prevenidos, seguido por excesso de peso (21 mil casos e 13 mil mortes) \u2013 fortemente ligado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e \u00e0 falta de atividade f\u00edsica \u2013 e pelo consumo de \u00e1lcool (16 mil casos e 9 mil mortes).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cAvan\u00e7amos muito nos \u00faltimos 10 anos com v\u00e1rias leis e a\u00e7\u00f5es que conseguiram reduzir em mais da metade a preval\u00eancia do tabagismo. No entanto, ele continua sendo a principal causa de c\u00e2ncer. Isso refor\u00e7a a necessidade de campanhas, taxas e restri\u00e7\u00e3o de marketing. Tamb\u00e9m precisamos tomar conta de quest\u00f5es novas, como, por exemplo, o cigarro eletr\u00f4nico. Ainda n\u00e3o sabemos seu impacto na sa\u00fade, apenas que serve como porta de entrada para o v\u00edcio, sobretudo para jovens e adolescentes\u201d, disse Rezende.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na an\u00e1lise por sexo, homens e mulheres foram afetados de forma diferente. Em homens, o tabagismo (20,8%) impactou mais do que a soma dos fatores excesso de peso, falta de atividade f\u00edsica, consumo de \u00e1lcool e alimenta\u00e7\u00e3o inadequada (14,2%). J\u00e1 nas mulheres, a soma desses quatro \u00faltimos fatores impactou mais casos da doen\u00e7a (15,2%) do que o tabagismo (10,1%) isolado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cPela distribui\u00e7\u00e3o dos cinco fatores de risco nessas duas popula\u00e7\u00f5es, tabagismo \u00e9 disparado o principal fator de risco para c\u00e2ncer. Essa diferen\u00e7a entre homens e mulheres ocorre porque a preval\u00eancia de tabagismo ainda \u00e9 mais alta entre os homens no Brasil. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, as mulheres s\u00e3o mais impactadas por outros fatores. Elas praticam menos atividade f\u00edsica e apresentam um \u00edndice de massa corporal maior que o dos homens\u201d, disse Rezende \u00e0 Ag\u00eancia <strong>FAPESP<\/strong>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O artigo <em>Proportion of cancer cases and deaths attributable to lifestyle risk factors in Brazil<\/em> (doi: 10.1016\/j.canep.2019.01.021), de Leandro F\u00f3rnias Machado de Rezende, Dong Hoon Lee, Maria Laura da Costa Louzada, Mingyang Song, Edward Giovannucci e Jos\u00e9 Eluf-Neto, pode ser lido na Cancer Epidemiology em <strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1877782118305253?dgcid=author#bib0010\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1877782118305253?dgcid=author#bib0010<\/a><\/strong>. <\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/habitos-saudaveis-poderiam-evitar-27-dos-casos-de-cancer-no-brasil\/30230\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Tabagismo, consumo de \u00e1lcool, excesso de peso, alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o saud\u00e1vel e falta de atividade f\u00edsica s\u00e3o os fatores de risco associados a um ter\u00e7o das mortes causadas por 20 tipos de c\u00e2ncer no Brasil, segundo um novo estudo. 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