{"id":7573,"date":"2019-09-17T06:03:22","date_gmt":"2019-09-17T09:03:22","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=7573"},"modified":"2020-03-20T09:48:30","modified_gmt":"2020-03-20T12:48:30","slug":"cafe-em-excesso-aumenta-a-chance-de-pressao-alta-em-pessoas-predispostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/cafe-em-excesso-aumenta-a-chance-de-pressao-alta-em-pessoas-predispostas\/","title":{"rendered":"Caf\u00e9 em excesso aumenta a chance de press\u00e3o alta em pessoas predispostas"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 O h\u00e1bito de consumir mais de tr\u00eas x\u00edcaras de caf\u00e9 por dia aumenta em at\u00e9 quatro vezes a chance de indiv\u00edduos geneticamente predispostos apresentarem n\u00edveis elevados de press\u00e3o arterial. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo feito na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e divulgado na revista <em><strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0261561418312469\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Clinical Nutrition<\/a><\/strong><\/em>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O estudo, <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/155113\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/strong>, baseou-se em dados de 533 pessoas entrevistadas no Inqu\u00e9rito de Sa\u00fade do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo (ISA-Capital 2008), estudo de base populacional que abrange a \u00e1rea urbana da capital e avalia as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos moradores. N\u00e3o foi observada associa\u00e7\u00e3o significativa entre a bebida e os n\u00edveis de press\u00e3o arterial no caso de pessoas que consumiam at\u00e9 tr\u00eas x\u00edcaras ao dia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cEsses achados destacam a import\u00e2ncia de moderar o consumo de caf\u00e9 para a preven\u00e7\u00e3o da press\u00e3o alta, particularmente em indiv\u00edduos geneticamente predispostos a este fator de risco cardiovascular\u201d, disse <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/676724\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Andreia Machado Miranda<\/a><\/strong>, p\u00f3s-doutoranda no Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP (FSP-USP) e primeira autora do artigo, \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foram considerados como press\u00e3o arterial elevada valores acima de 140 por 90 mil\u00edmetros de merc\u00fario (mmHg). Em um trabalho anterior, tamb\u00e9m feito com base nos dados do ISA-Capital 2008, Miranda havia observado que o consumo moderado de caf\u00e9 (de uma a tr\u00eas x\u00edcaras di\u00e1rias) tem efeito ben\u00e9fico sobre alguns fatores de risco cardiovascular \u2013 particularmente a press\u00e3o arterial e os n\u00edveis sangu\u00edneos de homociste\u00edna, amino\u00e1cido relacionado com o surgimento de altera\u00e7\u00f5es nos vasos sangu\u00edneos, infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Nessa primeira an\u00e1lise, n\u00e3o foram inclu\u00eddos os dados gen\u00e9ticos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cDecidimos, no estudo mais recente, investigar se em indiv\u00edduos que apresentam fatores gen\u00e9ticos que predisp\u00f5em \u00e0 hipertens\u00e3o o consumo de caf\u00e9 teria influ\u00eancia nos n\u00edveis de press\u00e3o arterial\u201d, disse Miranda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Por meio de um question\u00e1rio aplicado aos mais de 3 mil participantes, o ISA-Capital 2008 obteve dados sociodemogr\u00e1ficos e de estilo de vida, como idade, sexo, ra\u00e7a, renda familiar <em>per capita<\/em>, atividade f\u00edsica e tabagismo. Tamb\u00e9m foram feitos dois recordat\u00f3rios para avalia\u00e7\u00e3o do consumo alimentar e coleta de sangue para an\u00e1lises bioqu\u00edmicas e extra\u00e7\u00e3o de DNA para genotipagem. Foram ainda medidos, durante visita domiciliar feita por um t\u00e9cnico de enfermagem, o peso, a altura e a press\u00e3o arterial dos volunt\u00e1rios.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Uma amostra representativa de 533 adultos e idosos foi selecionada para as an\u00e1lises conduzidas na FSP-USP. Entre os crit\u00e9rios de inclus\u00e3o estavam: a presen\u00e7a de informa\u00e7\u00f5es sobre o consumo di\u00e1rio de caf\u00e9 e sobre a presen\u00e7a ou n\u00e3o das variantes gen\u00e9ticas de risco para press\u00e3o elevada.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Com base em informa\u00e7\u00f5es descritas na literatura cient\u00edfica, os pesquisadores identificaram no rol de dados dispon\u00edveis no ISA-Capital 2008 quatro polimorfismos (variantes dos genes estudados) capazes de indicar predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 hipertens\u00e3o: <em>CYP1A1 \/ CYP1A2<\/em> (rs2470893, rs2472297); <em>CPLX3\/ULK3<\/em> (rs6495122); e <em>MTHFR<\/em> (rs17367504).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Foi ent\u00e3o criado um escore gen\u00e9tico de risco que variava de zero a oito. Se o indiv\u00edduo fosse homozig\u00f3tico dominante (nenhum alelo variante) obtinha a pontua\u00e7\u00e3o zero, se fosse heterozig\u00f3tico (um alelo variante) obtinha a pontua\u00e7\u00e3o um e, caso fosse homozig\u00f3tico recessivo (dois alelos variantes), dois. O escore final \u00e9 obtido pela soma do n\u00famero de alelos de risco dos quatro polimorfismos analisados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O consumo de caf\u00e9 foi dividido em tr\u00eas categorias: menos de uma x\u00edcara ao dia; de uma a tr\u00eas; e mais de tr\u00eas x\u00edcaras di\u00e1rias.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cFizemos uma an\u00e1lise de associa\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas fatores: escore gen\u00e9tico de risco, consumo de caf\u00e9 e valor da press\u00e3o arterial. Usando um m\u00e9todo estat\u00edstico conhecido como regress\u00e3o log\u00edstica m\u00faltipla, inclu\u00edmos outras vari\u00e1veis de ajuste que poderiam influenciar o resultado, como idade, sexo, ra\u00e7a, tabagismo, consumo de bebidas alco\u00f3licas, \u00edndice de massa corporal, atividade f\u00edsica e uso de medica\u00e7\u00e3o anti-hipertensiva\u201d, explicou Miranda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As an\u00e1lises estat\u00edsticas mostraram que, \u00e0 medida que aumentava o escore de risco e a quantidade de caf\u00e9 consumida, crescia tamb\u00e9m a chance de o indiv\u00edduo apresentar press\u00e3o alta. Nos volunt\u00e1rios com pontua\u00e7\u00e3o mais elevada e consumo di\u00e1rio superior a tr\u00eas x\u00edcaras, a chance de press\u00e3o alta foi quatro vezes maior que a de pessoas sem predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cComo a maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem ideia se \u00e9 ou n\u00e3o predisposta a desenvolver hipertens\u00e3o \u2013 para isso seria necess\u00e1rio sequenciar e analisar o genoma \u2013, o ideal \u00e9 que todos fa\u00e7am um consumo moderado de caf\u00e9 que, ao que tudo indica, \u00e9 ben\u00e9fico \u00e0 sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o\u201d, disse Miranda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Segundo a pesquisadora, estudos recentes mostraram que consumir moderadamente a bebida pode ajudar a prevenir a calcifica\u00e7\u00e3o da art\u00e9ria coron\u00e1ria. O efeito ben\u00e9fico \u00e9 atribu\u00eddo aos polifen\u00f3is, compostos bioativos encontrados em abund\u00e2ncia no caf\u00e9. J\u00e1 a a\u00e7\u00e3o sobre a press\u00e3o arterial, segundo Miranda, est\u00e1 relacionada \u00e0 cafe\u00edna.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>De acordo com as diretrizes mais recentes da American Heart Association, em indiv\u00edduos saud\u00e1veis o consumo moderado de caf\u00e9 n\u00e3o aumenta o risco de doen\u00e7as card\u00edacas e n\u00e3o est\u00e1 associado a preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade no longo prazo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desdobramentos<\/strong><\/h4>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A pesquisa de doutorado de Miranda foi orientada pela professora da FSP-USP <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/8989\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dirce Marchioni<\/a><\/strong>. Agora, no p\u00f3s-doutorado, tamb\u00e9m com <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/178248\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoio da FAPESP<\/a><\/strong>, o objetivo \u00e9 avaliar o efeito do consumo de caf\u00e9 em pacientes portadores de doen\u00e7a cardiovascular \u2013 particularmente a s\u00edndrome coronariana aguda, causada por obstru\u00e7\u00e3o na art\u00e9ria coron\u00e1ria, que irriga o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O grupo pretende analisar, durante quatro anos, os dados de acompanhamento de 1.085 pacientes que sofreram infarto agudo do mioc\u00e1rdio ou angina inst\u00e1vel, foram atendidos no Hospital Universit\u00e1rio da USP e integram a coorte do estudo longitudinal Estrat\u00e9gia de Registro de Insufici\u00eancia Coronariana (Erico).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u201cA ideia \u00e9 avaliar, ao longo dos anos, a influ\u00eancia do consumo de caf\u00e9 na sobrevida desses pacientes\u201d, disse Miranda.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marchioni, a pesquisa iniciada durante o doutorado de Miranda trouxe resultados relevantes. \u201cO caf\u00e9 se mostrou um importante contribuinte para a ingest\u00e3o de polifen\u00f3is na popula\u00e7\u00e3o estudada e este composto bioativo tem sido associado a diversos benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade. Ao investigarmos o consumo de caf\u00e9 e sua associa\u00e7\u00e3o com algumas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, identificamos que o consumo moderado pode ser ben\u00e9fico e, portanto, pode compor a dieta habitual, sempre evitando o exagero\u201d, disse.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O artigo <em>The association between genetic risk score and blood pressure is modified by coffee consumption: Gene-diet interaction analysis in a population-based study<\/em> (doi: https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.clnu.2018.07.033), de Andreia Machado Miranda, Josiane Steluti, Marina Maintinguer Norde, Regina Mara Fisberg e Dirce Maria Marchioni, pode ser lido em <strong><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0261561418312469#!\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0261561418312469#!<\/a><\/strong>. <\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/cafe-em-excesso-aumenta-a-chance-de-pressao-alta-em-pessoas-predispostas\/30975\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">original aqui<\/a>.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O h\u00e1bito de consumir mais de tr\u00eas x\u00edcaras de caf\u00e9 por dia aumenta em at\u00e9 quatro vezes a chance de indiv\u00edduos geneticamente predispostos apresentarem n\u00edveis elevados de press\u00e3o arterial. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo feito na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e divulgado na revista Clinical Nutrition. O<a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/cafe-em-excesso-aumenta-a-chance-de-pressao-alta-em-pessoas-predispostas\/\">Continue reading <i class=\"fal fa-angle-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7569,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-7573","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nutricao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7573"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7573\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7712,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7573\/revisions\/7712"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7569"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}