{"id":7683,"date":"2020-04-01T08:28:32","date_gmt":"2020-04-01T11:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=7683"},"modified":"2020-03-19T11:28:16","modified_gmt":"2020-03-19T14:28:16","slug":"estudo-mostra-como-o-exercicio-de-forca-controla-o-diabetes-em-individuos-obesos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/estudo-mostra-como-o-exercicio-de-forca-controla-o-diabetes-em-individuos-obesos\/","title":{"rendered":"Estudo mostra como o exerc\u00edcio de for\u00e7a controla o diabetes em indiv\u00edduos obesos"},"content":{"rendered":"<p><b>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP<\/b> \u2013 Uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico de for\u00e7a, como a muscula\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de reduzir a gordura acumulada no f\u00edgado e melhorar o controle da glicemia em indiv\u00edduos obesos e diab\u00e9ticos em um curto per\u00edodo, mesmo antes que ocorra perda de peso significativa.<\/p>\n<p>Por meio de experimentos com camundongos, pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular do Exerc\u00edcio (LaBMEx) da Unicamp observaram que 15 dias de treino moderado foram suficientes para modificar a express\u00e3o g\u00eanica no tecido hep\u00e1tico, favorecendo a \u201cqueima\u201d dos lip\u00eddeos armazenados e contribuindo para o tratamento da doen\u00e7a hep\u00e1tica gordurosa n\u00e3o alco\u00f3lica. Como consequ\u00eancia, houve melhora na sinaliza\u00e7\u00e3o celular feita pela insulina no tecido e redu\u00e7\u00e3o na s\u00edntese hep\u00e1tica de glicose.<\/p>\n<p>Resultados do estudo, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/94773\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>apoiado pela FAPESP<\/b><\/a>, foram publicados no <b><i><a href=\"http:\/\/joe.bioscientifica.com\/configurable\/contentpage\/journals$002fjoe$002f241$002f1$002fJOE-18-0567.xml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Journal of Endocrinology<\/a><\/i><\/b>.<\/p>\n<p>\u201cQue a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica ajuda a controlar doen\u00e7as, todo mundo sabe. O que estamos investigando \u00e9 por meio de quais mecanismos isso ocorre. Se conseguirmos descobrir uma prote\u00edna-chave cujos n\u00edveis aumentam ou diminuem com o treino, avan\u00e7amos um passo na cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos capazes de mimetizar alguns benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico\u201d, disse <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/81722\/leandro-pereira-de-moura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>Leandro Pereira de Moura<\/b><\/a>, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Aplicadas da Unicamp e coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p>Como explicou Moura, o excesso de gordura no f\u00edgado causa uma inflama\u00e7\u00e3o local que torna as c\u00e9lulas hep\u00e1ticas menos sens\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o da insulina. Esse quadro pode progredir para cirrose e at\u00e9 causar a fal\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm indiv\u00edduos obesos que sofrem de risco cardiometab\u00f3lico, reduzir a gordura hep\u00e1tica \u00e9 fundamental para auxiliar o controle do diabetes. Quando a sinaliza\u00e7\u00e3o feita pela insulina fica comprometida no tecido, o f\u00edgado \u2013 que deveria produzir glicose apenas em situa\u00e7\u00e3o de jejum \u2013 passa a liberar essa subst\u00e2ncia na corrente sangu\u00ednea mesmo ap\u00f3s o consumo de carboidratos, quando os n\u00edveis de insulina est\u00e3o altos. E isso aumenta os n\u00edveis de glicose no sangue\u201d, disse Moura \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p><b>Muscula\u00e7\u00e3o para camundongos<\/b><\/p>\n<p>Para investigar o efeito do exerc\u00edcio f\u00edsico de for\u00e7a no f\u00edgado, experimentos foram feitos com tr\u00eas grupos de camundongos. O controle recebeu ra\u00e7\u00e3o padr\u00e3o (com 4% de gordura) e permaneceu magro e sedent\u00e1rio. O segundo grupo foi alimentado com dieta hiperlip\u00eddica (35% de gordura) durante 14 semanas \u2013 tempo suficiente para os animais ficarem obesos e diab\u00e9ticos \u2013 e tamb\u00e9m permaneceu sedent\u00e1rio durante o experimento. J\u00e1 os animais do terceiro grupo receberam a dieta hiperlip\u00eddica e, quando j\u00e1 estavam obesos e diab\u00e9ticos, foram submetidos a um protocolo de exerc\u00edcio de for\u00e7a moderado ao longo de 15 dias.<\/p>\n<p>O treino consistia em subir uma escada com uma carga presa na cauda. Diariamente, os animais foram induzidos a fazer 20 s\u00e9ries, com intervalo de 90 segundos entre elas. Segundo Moura, o intuito foi mimetizar um treino de muscula\u00e7\u00e3o para humanos.<\/p>\n<p>\u201cAntes de come\u00e7ar o experimento, fizemos testes para determinar a carga m\u00e1xima que cada animal conseguia suportar. Depois fizemos c\u00e1lculos para aplicar nas sess\u00f5es de exerc\u00edcio apenas 70% dessa carga m\u00e1xima. Isso porque nosso grupo j\u00e1 <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/jcp.25625\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>mostrou<\/b><\/a> que excessos no treinamento podem contribuir de maneira significativa para a instala\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a hep\u00e1tica gordurosa n\u00e3o alco\u00f3lica. Quando n\u00e3o controlado, o exerc\u00edcio exaustivo pode ser mais prejudicial do que ben\u00e9fico\u201d, disse Moura.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pelo protocolo de curto prazo \u2013 somente 15 dias de treino \u2013 foi para comprovar que os benef\u00edcios observados estavam diretamente ligados ao exerc\u00edcio f\u00edsico de for\u00e7a, ou seja, n\u00e3o eram efeitos secund\u00e1rios \u00e0 perda de peso corporal.<\/p>\n<p>De fato, os pesquisadores observaram que os camundongos do grupo treinado ainda estavam obesos no final do protocolo, por\u00e9m, apresentavam valores normais de glicemia em jejum. J\u00e1 os obesos sedent\u00e1rios permaneceram diab\u00e9ticos at\u00e9 o t\u00e9rmino do experimento.<\/p>\n<p>Ao analisar o tecido hep\u00e1tico, foi poss\u00edvel notar uma redu\u00e7\u00e3o de 25% a 30% da gordura local no grupo treinado em compara\u00e7\u00e3o aos obesos sedent\u00e1rios \u2013 fen\u00f4meno acompanhado de queda na quantidade de prote\u00ednas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias. Por\u00e9m, o \u00edndice de gordura hep\u00e1tica dos animais treinados ainda era cerca de 150% maior que o do grupo controle.<\/p>\n<p><b>Gliconeog\u00eanese<\/b><\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de jejum, o f\u00edgado \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por manter os n\u00edveis de glicemia adequados. Mas os indiv\u00edduos com diabetes, em decorr\u00eancia da resist\u00eancia \u00e0 insulina, perdem a capacidade de controlar a produ\u00e7\u00e3o de glicose end\u00f3gena (gliconeog\u00eanese) e tornam-se hiperglic\u00eamicos.<\/p>\n<p>Para avaliar o efeito do exerc\u00edcio de for\u00e7a em controlar a gliconeog\u00eanese hep\u00e1tica, os cientistas fizeram um teste de toler\u00e2ncia ao piruvato \u2013 o principal substrato usado pelo \u00f3rg\u00e3o para produzir glicose.<\/p>\n<p>\u201cO teste basicamente consiste em administrar o piruvato aos animais e avaliar o quanto de glicose \u00e9 produzida pelo f\u00edgado. Observamos que os camundongos treinados produziam menos glicose que os obesos sedent\u00e1rios mesmo recebendo a mesma quantidade do substrato. Isso mostrou que o f\u00edgado do animal treinado passou por altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas que o tornaram mais sens\u00edvel \u00e0 insulina\u201d, disse Moura.<\/p>\n<p>A etapa seguinte foi investigar de que modo o exerc\u00edcio promoveu a diminui\u00e7\u00e3o da gordura hep\u00e1tica. Para isso, os pesquisadores analisaram no tecido a express\u00e3o de genes envolvidos com a lipog\u00eanese (s\u00edntese de \u00e1cidos graxos e triglic\u00e9rides, processo que favorece o ac\u00famulo de gordura) e com a lip\u00f3lise (processo de degrada\u00e7\u00e3o dos lip\u00eddeos, tornando-os dispon\u00edveis para serem usados como fonte de energia pelo organismo).<\/p>\n<p>\u201cComparando os animais obesos sedent\u00e1rios e exercitados, por meio de an\u00e1lises g\u00eanicas e proteicas, avaliamos a s\u00edntese e a oxida\u00e7\u00e3o da gordura hep\u00e1tica. Observamos que os animais sedent\u00e1rios tinham maior facilidade para acumular gordura no f\u00edgado, enquanto os submetidos ao exerc\u00edcio f\u00edsico acumulavam menos gordura no \u00f3rg\u00e3o\u201d, disse Moura.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, uma importante contribui\u00e7\u00e3o da pesquisa foi mostrar que o exerc\u00edcio resistido promoveu altera\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas em um tecido que n\u00e3o sofre a\u00e7\u00e3o direta das contra\u00e7\u00f5es musculoesquel\u00e9ticas.<\/p>\n<p>\u201cNosso pr\u00f3ximo passo ser\u00e1 investigar como ocorre essa comunica\u00e7\u00e3o entre m\u00fasculos e f\u00edgado. Temos a hip\u00f3tese de que uma prote\u00edna conhecida como clusterina esteja envolvida\u201d, disse.<\/p>\n<p>Caso se comprove que o aumento nos n\u00edveis de clusterina induzido pelo exerc\u00edcio f\u00edsico seja ben\u00e9fico, o pesquisador n\u00e3o descarta a hip\u00f3tese de testar tratamentos com alternativas sint\u00e9ticas.<\/p>\n<p>O artigo <i>Short-term strength training reduces gluconeogenesis and NAFLD in obese mice<\/i>, de Rodrigo Martins Pereira, Kellen Cristina da Cruz Rodrigues, Chadi Pellegrini Anaruma, Marcella Ramos Sant\u2019Ana, Tha\u00eds Dantis Pereira de Campos, Rodrigo Stellzer Gaspar, Raphael dos Santos Canciglieri, Diego Gomes de Melo, Rania A Mekary, Adelino Sanchez Ramos da Silva, Dennys Esper Cintra, Eduardo Rochete Ropelle, Jos\u00e9 Rodrigo Pauli e Leandro Pereira de Moura, pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/joe.bioscientifica.com\/view\/journals\/joe\/241\/1\/JOE-18-0567.xml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>https:\/\/joe.bioscientifica.com\/view\/journals\/joe\/241\/1\/JOE-18-0567.xml<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo-mostra-como-o-exercicio-de-forca-controla-o-diabetes-em-individuos-obesos\/30343\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio f\u00edsico de for\u00e7a, como a muscula\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de reduzir a gordura acumulada no f\u00edgado e melhorar o controle da glicemia em indiv\u00edduos obesos e diab\u00e9ticos em um curto per\u00edodo, mesmo antes que ocorra<a class=\"read-more\" href=\"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/estudo-mostra-como-o-exercicio-de-forca-controla-o-diabetes-em-individuos-obesos\/\">Continue reading <i class=\"fal fa-angle-right\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":7687,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35,34],"tags":[],"class_list":["post-7683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao-fisica","category-nutricao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7686,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7683\/revisions\/7686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}