{"id":7921,"date":"2020-08-26T09:17:14","date_gmt":"2020-08-26T12:17:14","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=7921"},"modified":"2020-08-26T09:17:14","modified_gmt":"2020-08-26T12:17:14","slug":"atividade-fisica-combate-hipertensao-e-aumenta-resistencia-ao-esforco-em-transplantados-cardiacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/atividade-fisica-combate-hipertensao-e-aumenta-resistencia-ao-esforco-em-transplantados-cardiacos\/","title":{"rendered":"Atividade F\u00edsica combate hipertens\u00e3o e aumenta resist\u00eancia ao esfor\u00e7o em transplantados card\u00edacos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 A hipertens\u00e3o arterial \u00e9 muito comum entre pacientes que passaram por um transplante de cora\u00e7\u00e3o, ocorrendo em at\u00e9 95% dos casos ap\u00f3s os primeiros cinco anos de cirurgia. De acordo com um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a pr\u00e1tica regular de exerc\u00edcios f\u00edsicos pode ser uma forma de amenizar o problema.<\/p>\n<p>O estudo, apoiado pela FAPESP e <strong><a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/2047487319880650\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicado<\/a><\/strong> no <em>European Journal of Preventive Cardiology<\/em>, mostrou que a atividade f\u00edsica n\u00e3o apenas reduz a press\u00e3o arterial como aumenta a capacidade cardiorrespirat\u00f3ria de pessoas transplantadas.<\/p>\n<p>A melhora foi ainda mais significativa em pessoas com evid\u00eancias de reinerva\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo card\u00edaco, ou seja, aquelas cujos nervos voltaram a crescer em volta do novo \u00f3rg\u00e3o transplantado.<\/p>\n<p>\u201cDurante a cirurgia, os nervos que fazem o controle dos batimentos card\u00edacos s\u00e3o cortados para a retirada do cora\u00e7\u00e3o doente. H\u00e1 indiv\u00edduos que apresentam boa reinerva\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado ap\u00f3s a cirurgia, principalmente durante o primeiro ano. Outros nem tanto, podendo at\u00e9 n\u00e3o apresentar nenhum sinal de reinerva\u00e7\u00e3o\u201d, explica <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/171074\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Emmanuel Gomes Ciolac<\/a><\/strong>, professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Unesp, em Bauru, e coordenador do estudo.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, mesmo tendo uma boa recupera\u00e7\u00e3o e melhora da qualidade de vida, boa parte dos pacientes operados apresenta altera\u00e7\u00f5es nos batimentos card\u00edacos, que ficam mais elevados no repouso e respondem mais lentamente ao esfor\u00e7o f\u00edsico. \u201cEsse preju\u00edzo da inerva\u00e7\u00e3o card\u00edaca, em conjunto com o uso de medicamentos para evitar a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado, est\u00e1 associado a um maior risco de desenvolver hipertens\u00e3o arterial\u201d, conta.<\/p>\n<p>No experimento descrito no artigo, um grupo de pacientes que havia recebido um novo cora\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de um ano \u2013 per\u00edodo em que acontece a maior parte da reinerva\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado \u2013 foi submetido a uma rotina de exerc\u00edcios e avaliado segundo a capacidade cardiorrespirat\u00f3ria e a press\u00e3o arterial. Mesmo pacientes que n\u00e3o tinham evid\u00eancias de reinerva\u00e7\u00e3o obtiveram melhora nos dois quesitos. Por\u00e9m, os benef\u00edcios foram maiores nos pacientes com sinais de reinerva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa integra o projeto \u201c<strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/47356\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Efeitos da atividade f\u00edsica em piscina aquecida versus atividade f\u00edsica em solo na densidade mineral \u00f3ssea, capacidade f\u00edsica e composi\u00e7\u00e3o corporal em transplantados card\u00edacos<\/a><\/strong>\u201d, financiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>De acordo com Ciolac, nos pacientes sem evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o os batimentos card\u00edacos aumentam menos e mais lentamente durante as sess\u00f5es de exerc\u00edcio. Tal fato pode explicar por que nesses indiv\u00edduos a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica resultou em menor redu\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial. \u201cEssa resposta card\u00edaca reduzida pode ter promovido menores adapta\u00e7\u00f5es cardiovasculares, incluindo a press\u00e3o arterial e a capacidade cardiorrespirat\u00f3ria\u201d, afirma.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem ainda interven\u00e7\u00f5es, sejam farmacol\u00f3gicas ou cir\u00fargicas, que possam aumentar a reinerva\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n<p><strong>Volunt\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Foram selecionados 33 pacientes para o estudo. Destes, 16 tinham evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o card\u00edaca e 17 n\u00e3o tinham. Para saber quais volunt\u00e1rios se enquadravam em cada grupo, os pesquisadores usaram uma metodologia conhecida pela sigla CPX (acr\u00f4nimo em ingl\u00eas para teste de esfor\u00e7o cardiopulmonar). Para serem considerados com evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o card\u00edaca, os pacientes caminhavam em uma esteira ergom\u00e9trica e tinham de se enquadrar em pelo menos dois de tr\u00eas crit\u00e9rios.<\/p>\n<p>Nos primeiros 60 segundos de caminhada, a frequ\u00eancia card\u00edaca deveria subir pelo menos cinco batimentos por minuto (bpm). Em seguida, quando o volunt\u00e1rio atingisse o maior esfor\u00e7o poss\u00edvel, a frequ\u00eancia deveria chegar a 80% do m\u00e1ximo previsto para a sua idade. Por fim, no primeiro minuto ap\u00f3s o t\u00e9rmino do esfor\u00e7o, a frequ\u00eancia card\u00edaca deveria diminuir ao menos um bpm. Quem n\u00e3o se enquadrasse em nenhum dos crit\u00e9rios era classificado como \u201csem evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Estes crit\u00e9rios foram baseados em estudos que analisaram a resposta cardiovascular ao CPX em pacientes com e sem reinerva\u00e7\u00e3o. Para fazer parte do estudo, os volunt\u00e1rios tinham de ser considerados sedent\u00e1rios ou insuficientemente ativos, n\u00e3o tendo realizado atividade f\u00edsica ou exerc\u00edcio de forma regular nos seis meses anteriores. Al\u00e9m disso, n\u00e3o podiam ter nenhum tipo de doen\u00e7a que influenciasse os resultados.<\/p>\n<p>Depois da divis\u00e3o em dois grupos, cada um dos 33 pacientes, com idades entre 20 e 60 anos, foi submetido por 12 semanas a uma rotina de treinamento. Duas vezes por semana, eles realizavam uma sequ\u00eancia composta de cinco minutos de aquecimento, 30 minutos de caminhada ou corrida leve numa esteira ergom\u00e9trica, uma s\u00e9rie de 10 a 15 repeti\u00e7\u00f5es de cinco exerc\u00edcios de muscula\u00e7\u00e3o e, por fim, cinco minutos de alongamento.<\/p>\n<p>O treinamento era realizado no Laborat\u00f3rio de Estudos do Movimento do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina (HC-FM) da USP ou no Centro de Pr\u00e1ticas Esportivas da USP (Cepe-USP). Nos fins de semana, os volunt\u00e1rios realizavam uma terceira sess\u00e3o de 30 minutos de caminhada ou corrida leve, sem supervis\u00e3o, no local que preferissem (podia ser em casa, na rua, em pra\u00e7a ou parque p\u00fablico, por exemplo).<\/p>\n<p>Antes e ao fim das 12 semanas do estudo, os pacientes tiveram a press\u00e3o arterial medida por 24 horas seguidas com um aparelho de monitora\u00e7\u00e3o ambulatorial. Os dois grupos obtiveram melhora ap\u00f3s o programa de exerc\u00edcios, por\u00e9m, os pacientes com evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o obtiveram redu\u00e7\u00e3o na press\u00e3o sist\u00f3lica e diast\u00f3lica, enquanto os pacientes sem evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o reduziram apenas a press\u00e3o diast\u00f3lica, que foi em menor magnitude e por um n\u00famero menor de horas.<\/p>\n<p><strong>Capacidade cardiorrespirat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Testes cardiorrespirat\u00f3rios mostraram que os volunt\u00e1rios com evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o aumentaram o consumo m\u00e1ximo de oxig\u00eanio em 10,8% e a toler\u00e2ncia ao exerc\u00edcio em 13,4%, enquanto os sem reinerva\u00e7\u00e3o aumentaram apenas esse \u00faltimo item, em 9,9%. A chamada velocidade de onda de pulso n\u00e3o mudou em nenhum dos grupos.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um teste que mede a rigidez arterial por meio de sensores colocados sobre a art\u00e9ria car\u00f3tida e femoral, calculando a velocidade que o pulso arterial demora para percorrer esse trajeto. Quanto mais veloz, mais r\u00edgida a art\u00e9ria e pior o progn\u00f3stico. Quanto mais lento, mais el\u00e1stica a art\u00e9ria e melhor o progn\u00f3stico. Isso n\u00e3o melhorou em nenhum dos dois grupos\u201d, conta Ciolac.<\/p>\n<p>Outros estudos j\u00e1 haviam demonstrado que a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica beneficia pessoas com hipertens\u00e3o arterial. O trabalho mostra que o mesmo se aplica \u00e0queles que passaram por transplante de cora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, traz novas evid\u00eancias para a import\u00e2ncia da reinerva\u00e7\u00e3o card\u00edaca ap\u00f3s o transplante, o que pode inspirar novas pesquisas com o objetivo de entender melhor o processo de reinerva\u00e7\u00e3o para poder melhor\u00e1-lo.<\/p>\n<p>\u201cO exerc\u00edcio tem boas implica\u00e7\u00f5es para a qualidade de vida da pessoa que recebeu transplante card\u00edaco. Mesmo os pacientes sem evid\u00eancia de reinerva\u00e7\u00e3o aumentam a sua toler\u00e2ncia ao esfor\u00e7o, melhorando sua capacidade para realizar as atividades comuns do dia a dia, por exemplo. As recomenda\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio em transplantados s\u00e3o similares \u00e0quelas para qualquer pessoa com risco cardiovascular: antes de come\u00e7ar, fazer uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para verificar o estado geral de sa\u00fade e identificar poss\u00edveis riscos associados ao esfor\u00e7o f\u00edsico. Depois, ter uma rotina de treinamentos orientada por um profissional de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica capacitado\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>O artigo <em>Cardiac reinnervation affects cardiorespiratory adaptations to exercise training in individuals with heart transplantation<\/em> (doi: 10.1177\/2047487319880650), de Emmanuel G. Ciolac, Rafael E. Castro, Isabela R. Mar\u00e7al, Fernando Bacal, Edimar A. Bocchi e Guilherme V. Guimar\u00e3es, pode ser lido em: <strong><a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/2047487319880650\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/2047487319880650<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado por <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/\">Ag\u00eancia FAPESP<\/a> de acordo com a <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nd\/4.0\/\">licen\u00e7a Creative Commons CC-BY-NC-ND<\/a>. Leia o <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/atividade-fisica-combate-hipertensao-e-aumenta-resistencia-ao-esforco-em-transplantados-cardiacos\/33741\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">original aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 A hipertens\u00e3o arterial \u00e9 muito comum entre pacientes que passaram por um transplante de cora\u00e7\u00e3o, ocorrendo em at\u00e9 95% dos casos ap\u00f3s os primeiros cinco anos de cirurgia. 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