{"id":8089,"date":"2021-05-05T20:21:42","date_gmt":"2021-05-05T23:21:42","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=8089"},"modified":"2021-05-05T20:21:42","modified_gmt":"2021-05-05T23:21:42","slug":"sedentarismo-obesidade-depressao-e-ansiedade-agravam-sintomas-da-asma-revela-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/sedentarismo-obesidade-depressao-e-ansiedade-agravam-sintomas-da-asma-revela-estudo\/","title":{"rendered":"Sedentarismo, obesidade, depress\u00e3o e ansiedade agravam sintomas da asma, revela estudo"},"content":{"rendered":"<p>Luciana Constantino | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O sedentarismo, a obesidade, a depress\u00e3o e a ansiedade s\u00e3o fatores que agravam os sintomas da asma, dificultando seu controle. Por outro lado, exerc\u00edcios aer\u00f3bicos frequentes, como caminhadas de intensidade moderada ao menos cinco vezes por semana, ajudam a reduzir as crises da doen\u00e7a, principalmente em pacientes moderados e graves.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as conclus\u00f5es de estudos conduzidos na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e recentemente publicados em dois artigos \u2013 um no European Respiratory Journal e outro no Chest Journal. Ambos tiveram o apoio da FAPESP e a coordena\u00e7\u00e3o do professor e fisioterapeuta Celso Ricardo Fernandes de Carvalho, da Faculdade de Medicina (FM-USP).<\/p>\n<p>No primeiro estudo, com 296 pacientes brasileiros e australianos, foram apontadas quatro caracter\u00edsticas extrapulmonares importantes a serem consideradas no tratamento da asma: atividade f\u00edsica, obesidade, depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p>O trabalho mostrou que os pacientes formavam grupos com caracter\u00edsticas distintas: 1) participantes com asma controlada e fisicamente ativos; 2) com asma n\u00e3o controlada, fisicamente inativos e mais sedent\u00e1rios; 3) com asma n\u00e3o controlada, baixa atividade f\u00edsica, obesos e que sentiam ansiedade e ou sintomas de depress\u00e3o; e 4) com asma muito descontrolada, fisicamente inativos, mais sedent\u00e1rios, obesos e com sintomas de ansiedade e ou depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A maioria deles (64%) apresentou alguma complica\u00e7\u00e3o nos 12 meses anteriores (por exemplo, hospitaliza\u00e7\u00e3o). Nos grupos foram detectadas 15 comorbidades, entre as mais prevalentes estavam o refluxo gastroesof\u00e1gico, obesidade, hipertens\u00e3o, dist\u00farbio psicol\u00f3gico, sinusite e dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>Os pesquisadores fizeram ent\u00e3o uma an\u00e1lise de agrupamento hier\u00e1rquico para identificar fen\u00f3tipos cl\u00ednicos de asma com base em tra\u00e7os extrapulmonares e fatores comportamentais de risco, visando a descrever as caracter\u00edsticas cl\u00ednicas associadas a esses fen\u00f3tipos. O trabalho mostrou ainda que o sedentarismo era o fator com maior associa\u00e7\u00e3o a hospitaliza\u00e7\u00e3o e crises de asma.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos quatro fen\u00f3tipos de asma com base nas caracter\u00edsticas extrapulmonares: n\u00edveis de atividade f\u00edsica, obesidade, depress\u00e3o e sintomas de ansiedade. Nossos dados refor\u00e7am a import\u00e2ncia de avaliar essas caracter\u00edsticas na pr\u00e1tica cl\u00ednica para individualizar os tratamentos e, assim, melhorar os resultados em pessoas com asma moderada a grave\u201d, concluem os pesquisadores no artigo, cuja primeira autora \u00e9 Patr\u00edcia Duarte Freitas.<\/p>\n<p>No outro trabalho, que avaliou 51 volunt\u00e1rios com idade entre 18 e 60 anos, atendidos pelo Ambulat\u00f3rio de Pneumologia do Hospital das Cl\u00ednicas, a conclus\u00e3o foi que a atividade f\u00edsica frequente melhorou o controle da doen\u00e7a, a qualidade do sono e sintomas de ansiedade.<\/p>\n<p>Nesse caso, os volunt\u00e1rios foram divididos em um grupo de interven\u00e7\u00e3o, submetido a uma mudan\u00e7a de comportamento para aumentar a atividade f\u00edsica durante oito semanas, e um de controle, somente com os cuidados habituais.<\/p>\n<p>Foram coletadas informa\u00e7\u00f5es sobre o controle cl\u00ednico da asma, atividade f\u00edsica\/sedentarismo, comportamento, qualidade de vida, sintomas de ansiedade e depress\u00e3o, qualidade do sono e dados antropom\u00e9tricos.<\/p>\n<p>O controle cl\u00ednico da asma foi medido por meio de uma ferramenta, chamada ACQ, que compreende sete quest\u00f5es relacionadas a sintomas da doen\u00e7a, medica\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o pulmonar. Os participantes fizeram um di\u00e1rio para relatar exacerba\u00e7\u00f5es do quadro durante o per\u00edodo de interven\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foram medidos os n\u00edveis de atividade f\u00edsica e sedentarismo, por meio de equipamentos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores compararam os dados dos grupos, em ensaio randomizado e controlado, analisando as avalia\u00e7\u00f5es antes e ap\u00f3s o per\u00edodo de interven\u00e7\u00e3o. \u201cOs resultados sugerem que uma abordagem multidisciplinar para mudan\u00e7a de comportamento pode potencialmente ser uma estrat\u00e9gia complementar ou alternativa que melhora o controle cl\u00ednico em adultos com asma\u201d, escrevem os pesquisadores.<\/p>\n<p>Segundo Carvalho, o trabalho vem sendo feito desde 2007, quando come\u00e7aram as pesquisas ligando exerc\u00edcios, asma e obesidade. Em 2018, uma das publica\u00e7\u00f5es do grupo, resultado do doutorado de Freitas, foi premiada pelo European Respiratory Congress, realizado em Paris. O estudo mostrou, \u00e0 \u00e9poca, que obesos com asma submetidos a uma dieta balanceada e a uma rotina de atividades f\u00edsicas tiveram melhora significativa na fun\u00e7\u00e3o pulmonar e nos medidores inflamat\u00f3rios da doen\u00e7a (leia mais aqui agencia.fapesp.br\/28868\/).<\/p>\n<p>Impacto<\/p>\n<p>A asma, caracterizada pela inflama\u00e7\u00e3o das vias a\u00e9reas, \u00e9 considerada uma das doen\u00e7as cr\u00f4nicas mais comuns no mundo, afetando cerca de 339 milh\u00f5es de pessoas, segundo relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a doen\u00e7a, a primeira ter\u00e7a-feira do m\u00eas de maio marca o Dia Mundial da Asma, organizado pela Global Initiative for Asthma (GINA). Neste ano, o tema escolhido foi \u201cDescobrindo os Equ\u00edvocos sobre a Asma\u201d, para chamar a aten\u00e7\u00e3o para mitos e conceitos errados, como dizer que a doen\u00e7a s\u00f3 afeta crian\u00e7as ou \u00e9 infecciosa.<\/p>\n<p>A causa exata da asma ainda n\u00e3o \u00e9 conhecida, mas acredita-se que haja influ\u00eancia de uma s\u00e9rie de fatores gen\u00e9ticos, como hist\u00f3ria familiar de alergias respirat\u00f3rias, e ambientais. Alguns gatilhos podem piorar os sintomas ou a inflama\u00e7\u00e3o dos br\u00f4nquios. Entre eles est\u00e3o os al\u00e9rgicos (p\u00f3 domiciliar, \u00e1caros, fungos, p\u00f3len, pelo de animais), os irritantes (fuma\u00e7a de cigarro, polui\u00e7\u00e3o do ar, aeross\u00f3is), a varia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e at\u00e9 mesmo altera\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o tenha cura, a doen\u00e7a pode ser controlada para reduzir e prevenir os ataques, que se caracterizam por falta de ar, tosse e chiado no peito, podendo levar \u00e0 morte. O tratamento geralmente \u00e9 feito com medicamentos que aliviam ou controlam os sintomas, principalmente corticoides inalados isolados ou em associa\u00e7\u00e3o com droga broncodilatadora.<\/p>\n<p>Carvalho destaca que cada vez mais vem ganhando import\u00e2ncia o tratamento multidisciplinar, levando em considera\u00e7\u00e3o, principalmente, os fatores extrapulmonares, conhecidos como tra\u00e7os trat\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esses \u201ctra\u00e7os\u201d s\u00e3o caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas ou endot\u00edpicas que podem incluir comorbidades (como ansiedade, disfun\u00e7\u00e3o das cordas vocais e refluxo), fatores de risco (como tabagismo e densidade \u00f3ssea) e habilidades de autocuidado (como ader\u00eancia \u00e0 terapia e t\u00e9cnica inalat\u00f3ria). S\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o como parte da estrat\u00e9gia de tratamento das doen\u00e7as cr\u00f4nicas das vias respirat\u00f3rias por meio da medicina personalizada.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 29 de abril, um cons\u00f3rcio formado por m\u00e9dicos, pesquisadores e entidades lan\u00e7ou um site que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es e estudos sobre tra\u00e7os trat\u00e1veis. Carvalho participa do grupo e \u00e9 o \u00fanico pesquisador representante do continente americano.<\/p>\n<p>\u201cA ideia de um tratamento somente com medicamentos \u00e9 muito menos eficaz. Temos de pensar em tratamento multiprofissional. Al\u00e9m disso, o paciente tamb\u00e9m deve come\u00e7ar a tomar para si o comprometimento com os exerc\u00edcios. N\u00e3o precisa tentar se transformar em um atleta, basta se comprometer com a caminhada\u201d, diz Carvalho.<\/p>\n<p>Com o apoio da FAPESP, por meio de um Projeto Tem\u00e1tico, o professor est\u00e1 agora desenvolvendo uma pesquisa com o objetivo de avaliar o efeito de novas abordagens e de tecnologias para melhorar o tratamento de pacientes com asma moderada e grave. Tamb\u00e9m ser\u00e1 analisado o papel da mudan\u00e7a comportamental em pacientes com outros tipos de doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f4nicas, como a doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC).<\/p>\n<p>Os artigos Identification of asthma phenotypes based on extrapulmonary treatable traits e A Behavior Change Intervention Aimed at Increasing Physical Activity Improves Clinical Control in Adults With Asthma &#8211; A Randomized Controlled Trial podem ser lidos, respectivamente, em<\/p>\n<p>https:\/\/erj.ersjournals.com\/content\/early\/2020\/07\/09\/13993003.00240-2020 e https:\/\/journal.chestnet.org\/article\/S0012-3692(20)34492-5\/fulltext.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciana Constantino | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 O sedentarismo, a obesidade, a depress\u00e3o e a ansiedade s\u00e3o fatores que agravam os sintomas da asma, dificultando seu controle. 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