{"id":8095,"date":"2021-06-28T09:59:06","date_gmt":"2021-06-28T12:59:06","guid":{"rendered":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/?p=8095"},"modified":"2021-06-28T10:41:54","modified_gmt":"2021-06-28T13:41:54","slug":"inatividade-fisica-durante-a-pandemia-piorou-saude-de-mulheres-entre-50-e-70-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/renataferracioli.com.br\/blog\/inatividade-fisica-durante-a-pandemia-piorou-saude-de-mulheres-entre-50-e-70-anos\/","title":{"rendered":"Inatividade f\u00edsica durante a pandemia piorou sa\u00fade de mulheres entre 50 e 70 anos"},"content":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em estudo feito com 34 mulheres entre 50 e 70 anos, pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) mediram de forma objetiva o impacto \u00e0 sa\u00fade causado pela queda no n\u00edvel de atividade f\u00edsica durante a quarentena imposta pela COVID-19. Testes feitos ap\u00f3s as primeiras 16 semanas de confinamento apontaram piora no estado geral de sa\u00fade das volunt\u00e1rias, incluindo perda de for\u00e7a muscular e condicionamento aer\u00f3bio, bem como aumento dos n\u00edveis sangu\u00edneos de colesterol e hemoglobina glicada \u2013 dois fatores de risco para dist\u00farbios metab\u00f3licos.<\/p>\n<p>Os resultados completos da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados na revista Experimental Gerontology.<\/p>\n<p>\u201cImportante ressaltar que essas mulheres j\u00e1 eram consideradas fisicamente inativas antes do in\u00edcio da pandemia, ou seja, n\u00e3o tinham uma rotina estruturada de exerc\u00edcios. E com o confinamento elas passaram a se movimentar ainda menos, pois deixaram de fazer atividades como passear com o cachorro ou no shopping, brincar com os netos, caminhar at\u00e9 o ponto de \u00f4nibus ou at\u00e9 o trabalho\u201d, explica Carlos Bueno Junior, professor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Esporte de Ribeir\u00e3o Preto (EEFERP-USP) e um dos autores do artigo.<\/p>\n<p>Idealizada antes da pandemia, em parceria com a professora da EEFERP-USP Ellen de Freitas, a pesquisa tinha como objetivo original avaliar o efeito de diferentes programas de treinamento f\u00edsico em grupos de volunt\u00e1rios com perfil variado. Uma primeira bateria de exames foi feita com mulheres entre 50 e 70 anos em fevereiro de 2020, antes de iniciar a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram avaliados par\u00e2metros como peso, \u00edndice de massa corporal (IMC), percentual de gordura corporal, circunfer\u00eancia abdominal, press\u00e3o arterial, for\u00e7a de preens\u00e3o manual (medida com um dinam\u00f4metro, aparelho que se aperta com as m\u00e3os) e perfil alimentar (por meio de question\u00e1rio). Para avaliar a capacidade cardiorrespirat\u00f3ria, as volunt\u00e1rias foram submetidas a um teste de caminhada com dura\u00e7\u00e3o de seis minutos. Por \u00faltimo, foram coletadas\u00a0amostras de sangue por meio das quais os pesquisadores analisaram o perfil de c\u00e9lulas brancas e vermelhas, os n\u00edveis de colesterol, as taxas de glicemia, insulina e hemoglobina glicada (exame capaz de indicar o risco de diabetes do tipo 2).<\/p>\n<p>\u201cA ideia era reavaliar as participantes ap\u00f3s o t\u00e9rmino do protocolo de exerc\u00edcios, mas com a pandemia o planejamento inicial tornou-se invi\u00e1vel. Decidimos ent\u00e3o adaptar o projeto para avaliar os efeitos das mudan\u00e7as sociais causadas pela COVID-19 nos par\u00e2metros de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, principalmente no contexto do envelhecimento. J\u00e1 t\u00ednhamos as medidas iniciais e refizemos os testes ap\u00f3s as primeiras 16 semanas de confinamento, seguindo todos os protocolos para evitar a contamina\u00e7\u00e3o\u201d, conta Bueno Junior \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>A pesquisa contou com a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes de mestrado Jo\u00e3o Ribeiro de Lima e Gabriela Abud.<\/p>\n<p>Resultados<\/p>\n<p>A segunda bateria de exames n\u00e3o revelou altera\u00e7\u00e3o em par\u00e2metros como peso, IMC, percentual de gordura corporal e circunfer\u00eancia abdominal. Por\u00e9m, registrou-se, em m\u00e9dia, um aumento de 39,8% na taxa de insulina, 9,7% na de hemoglobina glicada e 1,3% na de glicemia (valor considerado n\u00e3o significativo). O n\u00edvel de colesterol total aumentou 8% e houve queda significativa (10%) na porcentagem de plaquetas no sangue \u2013 fen\u00f4meno cujas causas e implica\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o sendo investigadas.<\/p>\n<p>O teste de preens\u00e3o manual indicou uma redu\u00e7\u00e3o de 5,6% da for\u00e7a muscular. J\u00e1 o teste de caminhada\u00a0indicou perda de 4,4% da capacidade aer\u00f3bia.<\/p>\n<p>\u201cAlguns desses par\u00e2metros, como for\u00e7a muscular e capacidade aer\u00f3bia, j\u00e1 estavam aqu\u00e9m do ideal para a idade em raz\u00e3o do estilo de vida das volunt\u00e1rias. O estudo mostra que, no contexto da pandemia, algo que j\u00e1 estava ruim ficou ainda pior. Aumentou o risco de desenvolver doen\u00e7as cr\u00f4nicas e, para aquelas que j\u00e1 tinham problemas cardiovasculares ou metab\u00f3licos, houve um agravamento do quadro\u201d, comenta Lima.<\/p>\n<p>Segundo Abud, por meio do question\u00e1rio, foi poss\u00edvel concluir que n\u00e3o houve piora no padr\u00e3o alimentar ap\u00f3s o in\u00edcio do confinamento e, portanto, os preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade observados na pesquisa devem ser atribu\u00eddos principalmente \u00e0 queda na movimenta\u00e7\u00e3o corporal.<\/p>\n<p>\u201cMuitas dessas mulheres trabalhavam fora antes da quarentena e tinham uma rotina agitada, embora n\u00e3o praticassem atividade f\u00edsica regular. Algumas relataram se sentir mais estressadas em consequ\u00eancia do confinamento e isso tamb\u00e9m pode ter contribu\u00eddo para a piora no estado geral de sa\u00fade\u201d, afirma Abud.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos pesquisadores, os resultados deveriam servir de alerta para os governantes e para a sociedade em geral. \u201cCom apenas 16 semanas j\u00e1 foi poss\u00edvel notar mudan\u00e7as significativas em alguns dos par\u00e2metros avaliados e, com o prolongamento da crise sanit\u00e1ria, as implica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade tendem a se tornar cada vez maiores. \u00c9 preciso pensar em maneiras de promover a atividade f\u00edsica com seguran\u00e7a durante esse per\u00edodo\u201d, defende Lima.<\/p>\n<p>Para Bueno Junior, a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica durante o per\u00edodo de isolamento social \u00e9 fundamental n\u00e3o s\u00f3 para a sa\u00fade f\u00edsica como tamb\u00e9m psicol\u00f3gica. \u201cUma das propostas \u00e9 a pr\u00e1tica de exerc\u00edcios em casa, com aux\u00edlio de plataformas virtuais. Mas no caso de idosos ou de pessoas com limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas \u00e9 importante haver algum tipo de orienta\u00e7\u00e3o profissional personalizada durante o treino, pois o risco \u00e9 maior\u201d, diz.<\/p>\n<p>De acordo com Lima, os resultados da pesquisa evidenciam que, al\u00e9m do tempo dedicado \u00e0 pr\u00e1tica de exerc\u00edcios f\u00edsicos, o que as pessoas fazem no restante do dia tamb\u00e9m \u00e9 importante e deve ser avaliado. \u201cMuitos acham que porque fizeram uma hora de academia est\u00e3o liberados para comer qualquer coisa ou para ficar sentado o resto de suas horas livres vendo TV. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. \u00c9 fundamental diminuir o sedentarismo, que \u00e9 o tempo em que se permanece sentado ou deitado\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O artigo Effects of the COVID-19 pandemic on the global health of women aged 50 to 70 years pode ser lido em https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0531556521001248?fbclid=IwAR19nvk4Pg-4&#8211;kfBgRk70YGGqJFHa4ts5NFArRKqRr8tXcUvozGzDZwUns#!.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Karina Toledo | Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em estudo feito com 34 mulheres entre 50 e 70 anos, pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) mediram de forma objetiva o impacto \u00e0 sa\u00fade causado pela queda no n\u00edvel de atividade f\u00edsica durante a quarentena imposta pela COVID-19. 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